Escolheu cuidadosamente o prego que estava em uma caixa cheia deles, ergueu-o um pouco acima do pulso esquerdo, elevou o martelo e desceu-o sobre a carne macia.
Perfuração. Penetração;
Tirou da caixa de madeira, trabalhada em mãos escravas, o segundo longo prego forjado divinamente, pousou-o no pulso direito e bateu, pregando o braço à madeira.
Abnegação. Sacrifício;
O homem deitado se debateu como um porco, mas sem gritar, enquanto ele pregava o terceiro prego nos pés, cruzando-os um sobre o outro e atravessando os músculos com o glorioso pedaço de ferro – o som que o prego fazia a cada destruída de nervo era perturbador aos ouvidos dos recém fiéis.
Devaneio. Ilusão;
Cinco soldados elevaram a colossal cruz até que todos pudessem ver o homem nu crucificado que se debatia e praguejava contra seu deus.
- Foda-se - ele disse. Foi o que ele disse - Foda-se o Pai todo poderoso, foda-se a salvação, foda-se o mundo e toda a maldita humanidade. Deus é um veado - ele disse. Um filho da puta - cuspiu sangue no ar e quando sorriu as frestas entre seus dentes estavam vermelhas.
Subiu a ponta da lança e atravessou no abdômen de Cristo, para que ele calasse sua maldita boca. O homem sacrificado gorgolejou e se afogou com o próprio sangue, e riu com orgulho do seu feito. Estava tudo perfeitamente bem agora. Havia conquistado seu lugar na história.
- Encontrar-nos-emos no inferno - ele disse. Foi o que ele disse, enquanto fios escarlates gotejavam de seu queixo e um pouco de sêmen espirrava no solo abaixo.
Amém.
Nenhum comentário:
Postar um comentário