Vagos passos velados
Rumo às trevas vagando
Passos sóbrios, pesados
Pés fincados na calçada
Baleados pela razão
De quando em quando um olhar
Sobre os ombros recolhidos
O vento frígido a galopar
Um pensamento viciado
De náufrago social
Vício-ímpeto, vício-belo
Cobiça pura de marginal
Entregue à boca do precipício
Das drogas letais, dos Perdidos
Nos desperdícios causais
Dançando à deriva no mar da rotina
Lânguida língua estendida
Contra as ondas salinas
De lágrimas suarentas e piche
Abraçado às tábuas remanescentes
Tabula rasa vilã
Destroços sem rumo da Esquadra do Amanhã
Torpe navegador, desbravador interno
No horizonte da percepção vislumbra o Inferno
Cantando o canto dos Inebriados
Em um canto resguardado
Protegido em um manto de sombras
Máscara da Madrugada
Mãos trêmulas, ânsia em brasa
Ponta acesa, envenenada
Fumaça que alimenta a couraça do infiel
Vagos passos alados
Rumo a glória voando
Centro da cidade, templo temporário
Onde o Poeta em cinzento encanto
Masturba com fúria o imaginário
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