domingo, 5 de setembro de 2010

Canto dos Inebriados.

Vagos passos velados
Rumo às trevas vagando
Passos sóbrios, pesados
Pés fincados na calçada
Baleados pela razão
De quando em quando um olhar
Sobre os ombros recolhidos
O vento frígido a galopar
Um pensamento viciado
De náufrago social
Vício-ímpeto, vício-belo
Cobiça pura de marginal



Entregue à boca do precipício
Das drogas letais, dos Perdidos
Nos desperdícios causais
Dançando à deriva no mar da rotina
Lânguida língua estendida
Contra as ondas salinas
De lágrimas suarentas e piche
Abraçado às tábuas remanescentes
Tabula rasa vilã
Destroços sem rumo da Esquadra do Amanhã
Torpe navegador, desbravador interno
No horizonte da percepção vislumbra o Inferno




Cantando o canto dos Inebriados
Em um canto resguardado
Protegido em um manto de sombras
Máscara da Madrugada
Mãos trêmulas, ânsia em brasa
Ponta acesa, envenenada
Fumaça que alimenta a couraça do infiel
Vagos passos alados
Rumo a glória voando
Centro da cidade, templo temporário
Onde o Poeta em cinzento encanto
Masturba com fúria o imaginário

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